Hoje, durante a aula, recebi uma mensagem que fez pensar. Faz quanto tempo que eu não venho aqui mesmo? Se querem saber, tenho parado de escrever com a freqüência de antes, porque tenho medo do que pode sair. Ser tão feliz por um lado e tão infeliz para o outro, até agora não me gerou nenhum resultado positivo, e as palavras, que são delicadas até mesmo quando são rudes, vão mostrar como eu me sinto. Elas vão me dizer como eu estou.
Apenas garanto que não vou falar sobre coração partido. Não hoje. O que está passando na minha cabeça agora é a falta que as pequenas coisas fazem. Logo elas viram grandes coisas, logo você vê tudo que tinha – e automaticamente, tudo o que perdeu. Não consigo me adaptar em outro ambiente, e enquanto for assim, terei certeza de que não mudei. Normalmente não gosto de quem eu sou, mas não quero deixar de ser ao mesmo tempo. Me sinto tão pouco expressiva com olhares e sorrisos, mas sou razoavelmente expressiva com palavras.
Minha vida anterior agora se resume em lembranças. E em vontade. Vontade de ver os dias voando no calendário. Vontade de olhar no espelho e ver o que eu sempre vi.
Que tipo de peregrina me tornei? Me pergunto nessa noite chuvosa e melancólica. Olho para o vapor saindo do meu chá. Meus olhos estão lacrimejando por estar revelando o que sinto, ou por causa desse maldito vapor? Se eu pudesse, pegava o que estou sentindo e trancava numa gaveta á sete chaves. Os amores perdidos, os sonhos nunca alcançados.
O que eu sei, é que sempre vou reclamar. Independente da situação ou do lugar. Mas agora aprendi a valorizar. (Nota-se que rimou, mas não tive a intenção!) Coisa que nos últimos anos não passava de uma palavra. Os humanos comentem o freqüente erro de falar aquilo que não sabem. Tenho certeza que já falei, ou pensei, que só dei valor quando perdi. É mentira. Não que eu não me importasse, mas não sabia o que era de fato perder alguma coisa. Mas agora eu sei, quem fica ao seu lado quando o por do sol vai pra não voltar por um bom tempo. Quando, apesar de você olhar para aquelas tardes calorosas, você sente frio. Que vem de dentro de você. Da sua alma. Vacas cairão do céu no dia em que eu deixar de ser dramática. Que seja.
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