domingo, 17 de julho de 2011

Eu vs. Sociedade

Acho que estou virando um ser insociável. Acho que posso viver dentro do meu casulo para sempre. Nada do mundo lá fora. Faz dias que não saio, e só vou fazer isso em casos extremos. Se a sociedade não me quer, por que diabos eu vou querer a sociedade? Lá fora tudo é tão feio. As pessoas mentem, enganam. Aqui sou enganada por mim mesma e ninguém mais. A única mentira que escuto é quando digo que está tudo bem. Não tenho que explicar para ninguém porque passo noites em claro tomando café e escrevendo. Ou por que venho escrevendo em quase todas as partes do meu corpo. Ou o que venho escrevendo.
            Eu não devo satisfação a ninguém. Porque dentro de mim não há ninguém para fazer essas perguntas. Ninguém que vá dizer que estou péssima. Que preciso escovar meu cabelo, e não simplesmente deixá-lo secar e pronto. Que tem manchas de café nas minhas calças. Que minhas olheiras atingiram uma coloração possivelmente nunca vista antes. Foda-se tudo isso. Ninguém vai ver.
Estou de férias. Não tenho absolutamente nada para fazer, e nem uma reclamação, para que fique claro. Pouco me importa se está chovendo ou dando sol. Se está zero ou quarenta graus. Não tenho planos para serem desmanchados pelo clima. Acho que estou criando um grau que cresce espantosamente rápido, de Autismo. Ou vai ver eu tenho medo das pessoas porque maior parte delas só me machucou. Ou vai ver eu não ligo para isso e se todo mundo morrer não vou notar.
Cheguei ao ponto de chamar o Word de melhor amigo. Ele sabe de tudo. Sempre foi assim, mas achava vergonhoso demais para admitir.

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